|
|
|
Leonardo Vilela encerra o XIII Fica Debate sobre Energia nuclear Debate contou com a participação de Fernando Gabeira e Emiliano Godoi
Fernando Gabeira abriu o debate dizendo que, pouco antes do acidente com a Usina Nuclear de Fukushima, a comunidade internacional passava a considerar a energia nuclear como uma fonte cada vez mais ambientalmente aceita e necessária. O ex-deputado federal apresenta ainda todo um panorama mundial criado a partir do acidente no Japão. "Os países entraram em alerta, se questionando o que fazer caso seus reatores sofressem um dano tão forte quanto em Fukushima", explica. "Quando fui à Usina de Angra dos Reis para fazer uma simulação de acidente nuclear, percebi uma série de erros, a começar pela sirene de alerta, que não funcionava". Gabeira diz ainda que existe uma tendência internacional em reduzir ou eliminar a produção de energia nuclear. "A Alemanha já anunciou o fechamento de suas usinas, Itália e Áustria seguem no mesmo caminho". Para ele, a energia solar é a saída mais sensata. "Está na hora de entrarmos numa fase em que a energia renovável deve ultrapassar o petróleo e a energia nuclear", afirma Gabeira. O ex-deputado lembra do caso Césio 137, em Goiânia, e destaca a falta de profissionais capazes de lidar com o assunto na época. "Pensando estrategicamente, o Brasil deveria entrar logo no campo das energias alternativas. De toda forma, as nossas usinas nucleares já estão aí. Agora querem transportar o lixo de Angra para o Estado de Goiás. A população deve ser consultada", afirma. Gabeira considera que Fukushima foi um divisor de águas na questão nuclear, no qual o uso deste tipo de energia passa a cair em desuso. Leonardo Vilela abriu sua fala com a amplitude de assuntos ambientais tratados durante o Fica, com destaque para a posse dos diretores da Bacia Hidrográfica do Rio Vermelho. "Este é um fato concreto que permanece a partir do Festival", comemora. De volta à questão nuclear, Leonardo cita o presidente da EletroNuclear, que foi taxativo ao dizer que o Brasil precisa de um depósito definitivo para receber rejeitos radioativos, para que depois se possa pensar em construir uma nova usina nuclear no Brasil. Foi quando citaram o parque Telma Ortegal, em Abadia de Goiás. "Esta proposta causou uma péssima sensação nos goianos, que sentiram novamente o medo de serem discriminados no Brasil por questões nucleares. Além disso, o parque não foi construído para receber um volume de material radioativo maior do que o que ele já guarda. "Ampliar o depósito pode comprometer a segurança do local. Os países têm gastado bilhões de dólares em depósitos definitivos e não têm a garantia de que são totalmente seguros", explica. Leonardo ressalta que o Brasil deve abrir os olhos para seu modelo energético. "Se a Alemanha, que tem 35% de toda sua matriz energética com base na energia nuclear e anuncia que vai zerar a produção de suas usinas, o Brasil pode facilmente abandonar projetos nucleares", afirma. O secretário explica que Goiás não pode receber os rejeitos radioativos de Angra dos Reis. A Constituição goiana proíbe o uso e armazenamento de materiais com média a alta radioatividade e a população goiana é unânime ao dizer que não quer esse lixo em seu quintal. "É uma posição de Governo: Goiás não aceita lixo nuclear", destaca. Após as falas dos debatedores, a mesa abriu o microfone à participação da platéia, que pôde perguntar sobre produção de energia e sua relação com o meio ambiente e desenvolvimento. Fernando Gabeira e Leonardo Vilela concordam que novas tecnologias devem ser usadas no tratamento de lixo e produção de energia. Leonardo citou o processo de digestão anaeróbia para produção biogás e fertilizantes, e que praticamente eliminam todo resíduo sólido. "Não tenho dúvida de que este é o caminho. Em um futuro próximo, vamos ter que partir para essas soluções", afirma o secretário. Os espectadores-participantes mostraram-se preocupados com as consequências do desastre com o Césio 137, em 1987, que permanecem até hoje, como a falta de remédios aos sobreviventes e a necessidade de se criar um memorial do Césio. O modelo do Parque Telma Ortegal também foi questionado, se há riscos para a população conviver tão perto dos rejeitos contaminados. Leonardo respondeu que, no que cabe à Semarh, ele está à disposição para tratar de qualquer ponto relacionado ao acidente com o Césio 137. Fernando Gabeira acha que é interessante aproveitar o momento em que se discute a migração do lixo radioativo para Goiás para se discutir o tratamento das vítimas do acidente de 1987. "Se trouxerem o lixo pra cá, podem ter certeza que haverá recrudescimento da relação entre Goiás e os outros estados", finaliza. O evento terminou com a certeza de que o debate contribuiu para a solução do impasse a respeito do envio de lixo nuclear para Goiás e fechou o XIII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) com chave de ouro. Fonte: Ass. de Comunicação Semarh |